Blog para que o seu criador e líder inconteste possa desabafar sobre a vida, falar bobagens, ofender uma meia duzia de cretinos, dizer verdades sem censura, ouvir opniões a favor e ignorar as outras : )
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GALERIA DE ESTERCO
TOSCARIAS VISUAIS ECCEHOMOGRAPHICS
Imagem do dono do blog, tirada durante a Vinholada do
Elrond, celebrada no Castelo de Caras de Rivendell!
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Selo de Qualidade
do Chupa-Cabras
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O elenco de LOTR está irritadíssimo com
trocadilhos sobre o segredo dos anéis...
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O seu Creysson visitou o blog e assegurou: "Essio
eu agarantiu!"
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Osama
Bin Laden acredita que esse blog bombástico pode ajudar na jihad
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O
Gollum mandou avisar que nunca vai permitir que alguém passe a mão
no anélzinho precioso dele!
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Criaturas
idiotas e ridículas como o Jar Jar Binks serão caçadas e
zoadas dentro do meu blog
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O
fantasma do laguinho declarou numa entrevista, seu apoio oficial ao blog do Sr.
Eccehomotoscus
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Túneu do Tempo:
:: Wednesday, July 20, 2005 ::
O Descobrimento da América?
Penso eu se não seria eurocentrismo demais atribuirmos as imprecisas navegações do século XV e XVI o mérito pelo descobrimento do continente vulgo América, nome esse que ainda por cima é dado em homenagem a um indivíduo cuja importância para a história do Continente ou para sua descoberta propriamente dita são meio discutíveis. Seria a definição da data de 1492 como a da descoberta do continente um ranso histórico de analisar a história do ponto de vista do colonizador europeu? Afinal, havia povos autóctones vivendo aqui muito antes dos europeus chegarem, espalhados por todo o continente, vindos não se sabe se do Estreito de Bering ou da Polinésia, alguns organizados em sociedades complexas e sob certos aspectos mais avançadas que a dos visitantes do leste.
E pior, se lançarmos luz a já provada incursão de Erik o Ruivo a Groelândia, e posteriormente do seu filho Leif Eriksson, ao leste do continente americano, a precisão dessa data simbólica de descobrimento torna-se mais frágil. Sim, arqueólogos já provaram por A mais B a veracidade da presença nórdica na América, através de artefatos de metal (os índios não forjavam), e mais resquícios de uma cultura nórdica que foi erradicada pelos índios mediante confrontos numa era em que a pólvora não desequilibrava e fazia a diferença nos confrontos humanos. A terra, que os nórdicos chamavam de Vinland (terra dos vinhedos), e que bate na descrição piamente com a costa leste do Canadá e leste dos EUA, já fora habitada por povos europeus, bárbaros do ponto de vista da cristandade, mas europeus...
Ou seja, esse "descobrimento" é factóide.
Fui!
:: Eduardo 8:49 PM
:: ...
:: Thursday, July 07, 2005 ::
Em algum lugar oculto nas Brumas de Avalon o druida felino se ergue em majestade...
Esse é o Merlin. E ele é foda. E isso é tudo o que eu tenho dizer a esse respeito.
[]s
:: Eduardo 9:52 PM
:: ...
:: Monday, April 18, 2005 ::
Quem não se lembra daquele joguinho clássico de avião pra Atari? De certo qualquer um com mais de 20 anos e que teve infância eletrônica vai se lembrar sim. Poisé, resolvi abrir esse tópico pra homenagear o joguinho e esclarecer uma dúvida. Sim, existe final pro jogo, embora não físico. O final do jogo se dá pelo score. Um maluco assegurou numa comunidade pro jogo, no orkut, que: --------------------------------------------------------------------------------------------- Existe, pq já cheguei no final. É exatamente como informa o fabricante: qdo vc chega a 1.000.000 de pts o seu avião explode e o score do jogo é preenchido com pontos de exclamação: "! ! ! ! ! !". Eu era pequeno qdo consegui isso... acho q fiquei mais de 5 horas jogando direto. Aquele joystick quadrado do Atari me deixou com a palma da mão esquerda doendo pra caramba! Agora, infelizmente, não tenho fita gravada, foto da tela da TV, depoimento gravado de alguma testemunha, e muito menos um registro do recorde em cartório pra comprovar... Enfim, acredite quem quiser. Estou com 33 anos e não ia ficar perdendo meu tempo em responder algum fórum pra me vangloriar de algo q não fiz, ainda mais de uma coisa sem importância como essa. Tenho ótimas lembranças desse jogo mas, hoje, prefiro me divertir com jogos mais difíceis e realistas como o Lock On... ---------------------------------------------------------------------------------------------
Quanto a construção dos cenários, olha que interessante o depoimento desse outro aqui: --------------------------------------------------------------------------------------------- isso eu vi num site sobre a programação do jogo... pra desenhar os cenários o jogo usa um código pseudo-aleatório, é mais ou menos assim, o jogo vai criando o cenário aos poucos, baseado em cálculos matemáticos, e nunca vai repetir os cenários, e pelo que está escrito no manual do jogo, o único jeito de acabar o jogo é fazendo os 999.999 pontos, não importa quando isso aconteça... --------------------------------------------------------------------------------------------- Minha nossa, um jogo de Atari é capaz de criar códigos indefinidademnte e gerando cenários?!?! Creio que não dava o devido valor ao console, mesmo tendo ótimas lembranças do Atari.
:: Eduardo 10:07 PM
:: ...
:: Thursday, March 31, 2005 ::
Transgênicos: Sim ou não?
Fruto de pesquisas de muitos anos no campo da engenharia genética, estudos e trabalhos científicos acabaram se refletindo em avanços notáveis no campo da manipulação do material genético de plantas e outros seres vivos. Polêmicas discussões sobre as implicações morais, vantagens e desvantagens relacionadas a ciência dos transgênicos ganham força em tempos nos quais a engenharia genética e a medicina procuram provar os benefícios da técnica aplicada a via prática.
Os alimentos transgênicos, tema do tópico, são modificados geneticamente em laboratórios. A intenção é melhorar a qualidade do produto, torná-lo mais resistente e independente de pesticidas, maior, etc. Esses organismos genéticamente modificados, essa eugenia de laboratório, é implementada na agricultura e na pecuária.
Os objetivos dos que adotam os transgênicos são os de aumentar a produção, melhorar a mercadoria e diminuir custos. Tudo isso se dá através da modificação genética, técnicas que incluem DNA recombinante, introdução direta em um ser vivo de material hereditário de outra espécie -incluindo micro-injeção, micro-encapsulação, fusão celular e técnicas de hibridização- com criação de novas células ou combinações genéticas diferenciadas, ou seja, que não encontramos na natureza.
Na agricultura, por exemplo, uma técnica muito utilizada é a introdução de gene inseticida em plantas. Desta forma consegue-se que a própria planta possa produzir resistências a determinadas doenças da lavoura. A Engenharia Genética tem conseguido muitos avanços na manipulação de DNA e RNA. A biotecnologia aplica essa técnicas também na produção de alimentos.
A engenharia genética tem usado e pesquisado determinados métodos de produção de tecidos e órgãos humanos. Até mesmo seres vivos tem surgido destas pesquisas. O caso mais conhecido foi da ovelha Dolly. A técnica da clonagem foi utilizada gerando um novo ser vivo. A questão, entretanto, não é tão simples: Ambientalistas acusam os alimentos transgênicos de causar impactos irreversíveis ao meio ambiente.
Alegam que os transgênicos podem podem aumentar a resistência a antibióticos, causar alergias, contaminar plantações vizinhas... Ponderam que são ilegais em países como o Brasil por não respeitarem a Leis de Biosegurança e o Código de Defesa do Consumidor. Contra-argumentam que na América Latina os pequenos agricultores são responsáveis pela produção de 50% das batatas, 60% do milho e 70% do feijão e que a adoção de métodos de agricultura ecológica possibilitam um aumento médio de 73% na produção de alimentos.
Os alimentos transgênicos representam uma reviravolta no processo produtivo que faria a revolução verde corar. Implicam em uma série de dilemas éticos e morais, e muitos afirmam ser isso uma perigosa brincadeira do ser humano fingindo que é Deus.
Eu não tenho opinião tão claramente formada quanto a isso por falta de informação mais precisa, embora seja favorável a pesquisa com células-tronco por considerar óbvio que traria benefícios inenarráveis a medicina. Por outro lado, prefiro comer um alimento que veio ao mundo sem o dedo do homem no meio pra fazer aquilo nascer diferente, talvez por uma estranha mania de confiar mais na natureza do que nos meus companheiros da espécie. Enfim, aguardo opiniões.
:: Eduardo 8:31 PM
:: ...
Transgênicos: Sim ou Não?
Fruto de pesquisas de muitos anos no campo da engenharia genética, estudos e trabalhos científicos acabaram se refletindo em avanços notáveis no campo da manipulação do material genético de plantas e outros seres vivos. Polêmicas discussões sobre as implicações morais, vantagens e desvantagens relacionadas a ciência dos transgênicos ganham força em tempos nos quais a engenharia genética e a medicina procuram provar os benefícios da técnica aplicada a via prática.
Os alimentos transgênicos, tema do tópico, são modificados geneticamente em laboratórios. A intenção é melhorar a qualidade do produto, torná-lo mais resistente e independente de pesticidas, maior, etc. Esses organismos genéticamente modificados, essa eugenia de laboratório, é implementada na agricultura e na pecuária. Os objetivos dos que adotam os transgênicos são os de aumentar a produção, melhorar a mercadoria e diminuir custos.
Tudo isso se dá através da modificação genética, técnicas que incluem DNA recombinante, introdução direta em um ser vivo de material hereditário de outra espécie -incluindo micro-injeção, micro-encapsulação, fusão celular e técnicas de hibridização- com criação de novas células ou combinações genéticas diferenciadas, ou seja, que não encontramos na natureza.
Na agricultura, por exemplo, uma técnica muito utilizada é a introdução de gene inseticida em plantas. Desta forma consegue-se que a própria planta possa produzir resistências a determinadas doenças da lavoura. A Engenharia Genética tem conseguido muitos avanços na manipulação de DNA e RNA.
A biotecnologia aplica essa técnicas também na produção de alimentos. A engenharia genética tem usado e pesquisado determinados métodos de produção de tecidos e órgãos humanos. Até mesmo seres vivos tem surgido destas pesquisas. O caso mais conhecido foi da ovelha Dolly. A técnica da clonagem foi utilizada gerando um novo ser vivo.
A questão, entretanto, não é tão simples: Ambientalistas acusam os alimentos transgênicos de causar impactos irreversíveis ao meio ambiente.
Alegam que os transgênicos podem podem aumentar a resistência a antibióticos, causar alergias, contaminar plantações vizinhas... Ponderam que são ilegais em países como o Brasil por não respeitarem a Leis de Biosegurança e o Código de Defesa do Consumidor. Contra-argumentam que na América Latina os pequenos agricultores são responsáveis pela produção de 50% das batatas, 60% do milho e 70% do feijão e que a adoção de métodos de agricultura ecológica possibilitam um aumento médio de 73% na produção de alimentos. Os alimentos transgênicos representam uma reviravolta no processo produtivo que faria a revolução verde corar. Implicam em uma série de dilemas éticos e morais, e muitos afirmam ser isso uma perigosa brincadeira do ser humano fingindo que é Deus.
Eu não tenho opinião tão claramente formada quanto a isso por falta de informação mais precisa, embora seja favorável a pesquisa com células-tronco por considerar óbvio que traria benefícios inenarráveis a medicina. Por outro lado, prefiro comer um alimento que veio ao mundo sem o dedo do homem no meio pra fazer aquilo nascer diferente, talvez por uma estranha mania de confiar mais na natureza do que nos meus companheiros da espécie. Enfim, aguardo opiniões.
:: Eduardo 8:31 PM
:: ...
:: Tuesday, February 15, 2005 ::
Isso é pro pessoal ter uma breve noção do tipo de coisa que eu tenho aprontado por aí. Essa é uma das mais de 30 montagens fotográficas que já fiz com a galera que freqüenta o fórum Camelot. Nessa aí, sou eu de Jack Sparrow e o Wesley "Criatura Tumular" no papel do Orlando Bloom que ele tanto gosta. =P
Fui!
:: Eduardo 5:34 PM
:: ...
:: Wednesday, January 26, 2005 ::
Com a Reforma Tributária entrando em vigor, seremos mais taxados do que já somos. Contribuir para o Fome Zero e todos os demais projetos esvaziados e paternalistas do governo, e ajudar a acabar com a pobreza, mesmo quando vemos o poder público jorrar fortunas com propaganda, é algo deveras engraçado. Mas e esse dinheiro, alimenta a quem? Considerando que o Brasil tem uma das maiores taxas de impostos diretos e indiretos somados do mundo e considerando ainda por cima a renda média do país e a forma como vemos esses recursos sendo usados, soa aviltante. Suponhamos que eu concorde em doar metade dos meus R$ 500,00 de salário ridículo por mês para o governo cuidar daquilo que é responsabilidade. Assim sendo, será que o governo passaria a cumprir o seu papel e me oferecer em troca coisas como: Escola, Convênio médico, Despesas com dentista, Remédios, Materiais escolares, Condomínio, Água, Luz, Telefone, Energia, Supermercado, Gasolina, Vestuário, Lazer, Pedágios, Cultura, CPMF, IPVA, IPTU, ISS, ICMS, IPI, PIS, COFINS, Segurança, Previdência privada e qualquer taxa extra que por ventura seja repentinamente criada por qualquer dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, etc?
Afinal, alguns desses tributos nos são cobrados sem que sequer haja uma justificativa plausível!
Vejam bem: Eu pago por ano um IPVA maior que o meu salário, mas preciso pagar pedágio sempre que saio da cidade porque simplesmente todas as vias intermunicipais estão sob controle e manutenção de instituições privadas que querem ter lucro. Então pra que o IPVA?
Ao mesmo tempo em que se discute a Reforma Tributária, vejam só que bonitinho o que também está em discussão no Congresso Nacional no que tange aos rendimentos dos deputados federais:
Aumento do salário de R$ 12 mil pra R$ 19 mil
Auxílio-moradia subindo de R$ 3 mil para 5mil
Verba para despesas "comprovadas" subindo de R$ 7 mil para 9mil)
Verba para assessores subindo de R$ 3,8 mil para 7mil
Verba para parlamentares 'trabalharem' no recesso aumentando de R$ 25,4 mil para 29 mil
Verba de gabinete mensal decolando de R$ 35 mil para 41 mil)
Manutenção das garantias de passagens aéreas de ida e volta a Brasília todo mês
Direito a "contratar" 20 servidores para seu gabinete podendo subir pra 25, em um espaço físico de 6,5 m por 4,0m (conta outra )
Manutenção do direito ao 13º e ao 14º salários, no fim e no início de cada ano legislativo, e 90 dias de férias anuais e folga remunerada de 30 dias.
E ISSO PARA CADA UM DOS 514 DEPUTADOS !!!!
Eu li esses dados em um e-mail que me foi enviado e minha reação de cara foi de indignação. Essa corja ainda quer nos sobretaxar, nos tirar direitos trabalhistas, e nos convencer de que nós que temos que doar mais pra fazer o país crescer. Bonitinho, né? ¬¬
Fui!
:: Eduardo 4:11 PM
:: ...
:: Friday, January 21, 2005 ::
Decupando desenhos animados com foco na família
A família começa a ser, como conjunto, protagonista, na televisão americana , a partir do início da década de 50. Siticoms como I Love Lucy e “Papai Sabe Tudo” apresentavam o dia a dia de casais e suas famílias, e com elas revelavam a mentalidade de sua época.
E não tardou para que a fórmula fosse adotada pela indústria dos desenhos animados. Ainda nos anos 50, a dupla William Hanna e Joseph Barbera apresentam o primeiro desenho animado cujo cerne é a vida familiar, Os Flintstones. A família da idade da pedra era um retrato, senão fiel, ao menos análogo ao da sociedade norte-americana de então. O significante contido no desenho, a família da idade da pedra, não oculta os diversos significados que as situações vividas pelos personagens. As relações familiares e os valores sociais dos personagens lembram em tudo o american way of life da época. Embora seja supostamente a idade da pedra, é claro por exemplo, no nível do significado denotado, que Fred Flintstone é a figura patriarcal e chefe de uma família de classe média da cidade de Bedrook. Wilma, no papel secundário da esposa fiel e dona de casa, Pedrita (a filha do casal) e o cachorro de estimação Dino completam o núcleo familiar. A visinhança dos Flintstones, na qual se destacam a família Rubble (Barney, Betty e o filho Ban-Ban), vive numa relação de relativa intimidade, com fortes vínculos comunitários.
No entanto, no nível da conotação, podemos apreender que os Flinstones nada mais são do que uma família americana de classe média dos EUA transferida para um ambiente diferente. Os papéis de chefe da casa atribuido a Fred, e de dona de casa atribuído a Wilma, são um retrato das relações familiares de então. A relação de Fred com o patrão, o senhor Pedregoso, procede de forma semelhante a de um operário da construção civil com seu patrão na época, havendo inclusive um relógio de ponto que regula as horas de trabalho. Aliás, a própria transposição de todos os objetos de consumo e hábitos consumistas dos anos 50 são alí evidentes. Eletrodomésticos travestidos de animais, carros e aviões “pre-historicizados” e os casacos de pele cobiçados pelas esposas, em suas futilidades “tipicamente femininas” , acompanhadas do uso de uma moeda padrão (a lasca) tracavam o perfil da sociedade capitalista e consumista norte-americana. Mais evidentes ficavam os vínculos dos personagens com o american way of life quando seus habitos culturais eram reproduzidos. A prática do bolixe, a adoração por estrelas de cinema, o valor dado a fraternidade / clube do bolinha “Bufallos D’água” (que muito lembrava suas similares nos campi das universidades americanas), os penteados dos personagens (sobretudo o Laquê de Wilma) e a própria disposição de famílias nucleadas (e não os clãs pré-históricos) são provas explícitas disso, tal como a presença ameaçadora, subversiva e barulhenta para as crianças com a qual o “rock and roll da idade da pedra” é visto pela geração de Fred quando Pedrita e Banban crescem (o rock and roll é um fenômeno que nasce nos anos 50). Esses por sua vez são o casal de jovens ideal, romântico e bem comportado. Não obstante, a moralidade era acompanhada de valores religiosos, já que, mesmo na pré-história já se comemoravam feriados cristãos como o natal. Enfim, os Flintstones, retirada a maquiagem, eram uma versão “pré-histórica”do sonho americano dos anos dourados.
Em 1962 a dobradinha William Hanna & Joseph Barbera lança um novo desenho do gênero, os Jetsons. Eram os Jetsons mais um núcleo familiar patriarcal, composto por George (o pai), Janet (a esposa), os filhos Lerroy e Judy, o cachorro Astor e a empregada-robo Rose. Na verdade, a lógica defendida para com os Flintstones é válida também para os Jetsons. Em comum com os “primos” de Bedroock, o nível social, a família patriarcal e nucleada, hábitos culturais e valores ( como a prática do escotismo e o incômodo que representava o rock and roll para os pais ), assim como as difíceis relações do chefe da casa com o patrão. Se, no significante, os Jetsons são uma família do futuro, há significados que evidenciam os vínculos com o momento vivido pelos EUA na época. Era o início dos anos 60 e em 1961 é iniciado o programa espacial americano, logo após a façanha do astronalta soviético Yuri Gagarin, o primeiro homem a ficar em órbita, em pleno espaço.
A imaginação dos americanos voltava-se para o campo da ficção científica. No entanto, há significados conotativos que são mais reveladores da época. Os Jetsons são de uma era pré-revolução digital, e, adotando a estética dos filmes de ficção científica retrô dos anos 50, usam computadores, carros e eletrodomésticos que, salvo raras adaptações para justificar um avanço tecnológico com o tempo, são iguais aos do início dos anos 60. Computadores grandes e muito mais ligados a idéia de poder pela dimensão e potência de dispender energia (pensamento até os anos 70) do que a padrões de resolução e velocidade de processamento (esse o pensamento dos anos 90) povoavam a mente dos amantes do gênero. Carros com rabos de peixe e outros adornos comuns nos carros americanos de então (o styling em voga), e eletrodomésticos que, como com os Flintstones, desempenhavam as mesmas funções que os da época ajudam a situar o desenho.
Não obstante, o otimismo quanto ao desenvolvimento dos computadores fazia com que, na série os mesmos fossem humanizados. E a coqueluxe que surgia nos EUA, a dos cartões de crédito (que são bem mais antigos mas que se consolidavam ante o grande público com o boom de prosperidade da década anterior), já estava sendo incorporada alí. Além disso, os robôs, humanizados, tinham sentimentos, se cansavam e inclusive se organizavam em sindicatos. Além disso eram os anos Kennedy, e as roupas de Janet (a esposa) e Judy lembravam muito o estilo de Jackeline Boavier Kennedy, a primeira dama americana, padrão de moda na época. Não mais a ênfase estava nos casacos de pele que Wilma e Betty combiçavam, mas sim no parecer moderno.
Mas o que mais difere, no campo conotado, os Jetsons dos Flintstones, é o papel das mulheres dentro da família. Se Jane não trabalha e é a dona de casa, ao menos não trabalha como doméstica. Esse papel é da robô Rose. A menina Jodie, ao contrário de Pedrita, revela uma mudança de comportamento da juventude da época. Ao contrário da outra, Jodie não tem um namorado estável, fixo (como era Ban Ban pra Pedrita), mas sim tinha namoros que, apesar de comportados, não eram duradouros. E, numa época em que a revolução sexual engatinhava, o desenho, impregnado do conservadorismo dos seus autores, expunha ao ridículo a insistência de Jane e Jodie em tentar fazer coisas de homem, como trabalhar ou dirigir (geralmente eram inábeis e desastradas ao tentar fazê-lo). E, sobretudo, ao contrário do ranzinza e por vezes autoritário Fred, George era um exemplo do novo pai de família ideal, compreensivo para com todos na família, e inclusive ouvia a esposa e a filha, mesmo que essas fossem fúteis e “gastadeiras”.
Nessa primeira fase dos desenhos animados que tinham como tema a família, no entanto, é comum a ausência de qualquer critica ao stablishmente, e pode-se dizer que ambos são conservadores e críticos de toda e qualquer possibilidade de mudança em suas “vidinhas”. O fato do patrão ser temido, inclusive, não tem nenhuma intenção de incitar a rebeldia política, agindo mais como uma forma de educar para a inevitabilidade dessa circunstância.
A segunda fase dos desenhos animados do gênero viria em pouco menos de 10 anos, com a série Wait Until Your Father Gets Home. É uma série mais presa ao nosso universo sócio-político, menos alienada, e ao mesmo tempo mais refinada na crítica de cotidiano. A filha gordinha com complexos reais, o filho desertando pro Canadá porque não quer ir lutar no Vietnan, o pai que chega impaciente do trabalho...
E tudo isso contado com uma pitada de humor ideal, que não faz o desenho descambar pro besteirol. Não que a fórmula da Hanna Barbera, cujo zênite foi a década anterior, tivesse esgotado por completo. Mesmo que sem o mesmo sucesso, Os Flintstones e os Jetsons continuaram sendo produzidos por mais alguns anos, com algumas modificações e inclusive adiantando o tempo pra adolescência de Ban Ban e Pedrita.
Os valores, não obstante, eram ainda os mesmos de 15 anos antes. A rebeldia juvenil ainda era associada ingenuamente, ali, ao rock’n roll e ausência de fundamento, e no final das contas os certos sempre eram os pais. As crianças dos anos 70 começavam a não engolir mais aquilo com a mesma facilidade. Cumpre lembrar as transformações que se operavam no seio da sociedade americana e, por conseguinte, no ocidente da época.
A guerra do Vietnan, o movimento hippie, as rebeliões estudantis pelo mundo, o agravamento da guerra fria, ditaduras pelo mundo, uma série de coisas que tornavam a realidade escancaradamente mais dura e cruel do que esses desenhos mais idílicos nos levavam a crer que era. Mas a Hanna Barbera, em 1972, ainda se aventurou a produzir mais uma série seguindo o modelo familiar, os Muzzarela. Mesmo com o discurso conservador do estúdio, os Muzzarela são um pouco diferentes dos Jetsons, e mais ainda dos Flintstones. Essa série ambientada na Roma Antiga da década de 60 d.c., ainda mantinha a estrutura clichê matriz de todas as demais séries da HB. Transpunha a realidade do seu tempo, da forma mais adocicada possível, para um contexto histórico diferente. Os carros eram, no caso, bigas puxadas por cavalos, os jornais eram papiros, o relógio de pulso era ampulheta de areia... Mas isso é o menos importante. Vamos a uma análise mais minuciosa dos personagens. O chefe da família era Zecas, um homem atolado com problemas familiares, domésticos, profissionais e inquilinais. Era sempre amolado pelo Sr. Chatus, que também residia no edifício Vênus de Milo, e que vivia a procurar desculpas para despeja-lo. Além de Chatus, tinha o Sr. Gambázius, patrão de Zecas e dono da Construtora Fórum. Em suma, um perpetuador do papel de patrão malvado que já foi de Pedrosa e Spacely. A esposa de Zecas, Laura, era a típica mulher romana dona de casa. Cuidava dos afazeres domésticos, dos filhos, das visitas inesperadas do senhorio e das loucuras do marido. Era ela uma sucessora de Wilma e Janet, tal como o preguiçoso leão Brutus o era de Dino e Astor. A série ainda era conservadora. Mas é no comportamento dos filhos dos Muzzarelas que podemos notar uma mudança na mentalidade da época transmitida mesmo que discreta. Jocas, filho o mais velho, era um garotão hippie romano, com um vocabulário carregado de gírias, com um cabelo “beatle”, e que namorava a garota mais cobiçada da escola, Ruvias. Era, de um modo geral, alienado em relação a tudo que não fosse música. Mesmo que Jocas não representasse em nada o espírito contestador, e transgressor da juventude da época, foi uma forma discreta da própria HB se render, à sua maneira ao fato de que os tempos estavam mudando (como B.Dylan frizou 10 anos antes em uma canção). E temos Precócia, a filha mais nova de Zecas. Inteligentíssima, bem humorada e consideravelmente encrenqueira. Sempre arrumava problemas e sempre sabia como resolve-los. Talvez Precócia fosse o maior indício de alguma mudança no comportamento da sociedade evidente naquele desenho. Pela primeira vez um personagem feminino se destacava em uma série do gênero, mesmo que na tenra idade, pelas suas capacidades intelectuais (e não me refiro a capacidades inimagináveis para realizar afazeres domésticos).
O gênero, pelo menos no campo dos desenhos animados, saiu de moda na década seguinte (os anos 80), quando temos apenas remakes das já anacrônicas séries de 20/30 anos antes. A coisa só foi mudar um pouco de figura já em meados dos anos 80, quando um tal de Matt Groenning produz uma série de episódios rápidos contando o cotidiano de uma família um tanto quanto desfuncional, os Simpsons. O sucesso foi tanto que a atração virou quadro fixo na programação da FOX, e hoje é a atração que mais tempo persistiu no horário nobre da TV americana.
Vamos pausar agora e fazer uma recaptulação: nesse meio tempo, entre aquelas séries da que defini como sendo da segunda fase das séries animadas do gênero, aconteceram profundas transformações sociais, morais e históricas. O homem pensava diferente. Vivemos o movimento punk, o declínio e desmoronamento da Cortina de Ferro, a perda de força do movimento hippie, o estouro da indústria pornô, uma ascentuação no declínio da participação da Igreja na vida do indivíduo, liberdades civis ganhando força, impérios coloniais ruindo em definitivo... enfim, muita coisa mudou. Os Simpsons, pode-se dizer, inauguram essa terceira fase na qual estamos imersos até hoje. A família não tem mais simplesmente problemas, mas é ela própria geratriz de muitos deles. Pinceladas de humor corrosivo que discutem as relações familiares se estendem até os valores da própria sociedade em que elas estão inseridas. Não há mais a ingenuidade ilusória da família perfeita e unida. As imperfeições dos personagens os tornam dignos de menção. Bart e Homer Simpson (Os Simpsons); Hank, Bob e Peggy Hill (King of the Hill), a família Griffin (Family Guy); são todos exemplos dessa nova geração de sitcoms familiares. O humor varia, do mais próximo ao real até o nonsense, dependendo da série, mas o cerne principal em ambos os casos acaba sendo a crítica a sociedade, e aos valores da mesma a partir de uma de suas mais tradicionais instituições, a família.
O escatológico marca presença, e a patologia parece não ser mais um empencilho. Aliás, muito pelo contrário, se torna um atrativo a mais. Não há mais uma transposição maquiada da sociedade contemporânea para algum lugar distinto no tempo-espaço. Não há mais uma metáfora de presente amenizando, mascarando, dificultando identificar através de disfarces possíveis analogias. A crítica é direta, e praticamente todos os desenhos animados nessa linha hoje tem como base o presente assumidamente. Desde os obscuros Dária, da MTV, passando pelos desenhos da Fox citados logo acima, até chegar ao assumidamente escatológico Southpark, que mesmo não tendo o foco principal na família, sempre acaba focando diversas estórias no núcleo familiar de um ou outro personagem.
Em suma, hoje se fala de tudo, o que é até bom. A sociedade é mais permissiva e mais propensa a aceitar críticas, e o ser humano de um modo geral amadureceu no que tange a respeitar diferentes formas de pensar e entender o mundo. Por outro lado, a completa banalização de temas dessa natureza produz um efeito indesejado. Será que realmente esses cartoons, ou pelo menos os mais inteligentes dentre eles, com tiradas que exigem um mínimo de cultura geral e perspicácia, são apreciadas pelos motivos certos? Será que a forma como a grande maioria aprecia esses seriados e a própria linguagem deles não é per si a revelação também de características marcantes do nosso tempo e da nossa visão de mundo? Temos ao mesmo tempo nesses desenhos a banalização do escatológico, a overdose de informação indiscriminada (não sempre processada ou decupada como se deveria) e a não afiliação ideológica do ponto de vista militante (não vemos desenhos que tomam partido de forma tão clara, mas sim denunciosos de tudo, sem poupar nada). São reflexos de uma sociedade mais aberta e tolerante, e ao mesmo tempo mais displicente.
Uma sociedade que substituiu o rigor e a diciplina pelo apelativo e comercial, que não obedece limites e ao mesmo tempo que tira proveito disso de forma válida, se perde em meio a tanta liberdade. Somos policiados pela nossa própria incapacidade, enquanto massa, de depurar tudo o que chega a nós, e é aí que, creio eu, resida a liberdade de que gozam esses desenhos para discutir tantos temas, citar nomes, e por aí vai.